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domingo, 4 de janeiro de 2015

A MULHER MADURA, POR AFFONSO ROMANO DE SANT'ANA

O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.

De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.

Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.

sábado, 22 de dezembro de 2012

A LUCIDEZ E A INTELIGÊNCIA DE ARNALDO JABOR


A UTOPIA DA DISTOPIA

Muita gente me pergunta: "E aí?" "E aí, o quê?" - respondo, já trêmulo diante do inquisidor. "E aí, cara? Que vai acontecer com o mundo?" Como eu falo na TV, rádio e escrevo em jornais, acham que eu sei de respostas que o mundo não tem. Aí, faço uma cara de profunda reflexão, demoro um pouco para o suspense e deixo cair, com um muxoxo: "Sei lá!..."

sábado, 15 de dezembro de 2012

A NÁUSEA - TEXTO DE ARNALDO JABOR


O grande Cole Porter tem uma letra de música que diz: "Conflicting questions rise around my brain/ Should I order cyanide or order champagne?" ("Questões conflitantes rondam minha cabeça/ devo pedir cianureto ou champanha?")

Sinto-me assim, como articulista. Para que escrever? Nada adianta, nada. E como meu trabalho é ver o mal do mundo, um dia a depressão bate.